Com 32 anos de serviços no hospital, o cirurgião-geral Salomão Gurgel Diniz afirma nunca ter enfrentando uma situação tão difícil na unidade e resume as condições atuais com uma frase: “Aqui hoje é a Babel da Torre de Babel.” A quebra dos elevadores tem obrigado os maqueiros a transportarem nos braços os pacientes que vão para a cirurgia, enquanto três deles em coma e um entubado ocupam leitos no setor que seria destinado ao atendimento dos casos urgentes, o Politrauma.
“Tem hora que as macas ficam coladas umas nas outras. Não temos mais nem espaço para trabalhar. Esse hospital têm três UTIs, mas hoje outros quatro setores estão funcionando como UTIs improvisadas. Acredito que no Iraque estejam trabalhando em situação melhor. A insatisfação entre os funcionários é de no mínimo 90%. Há um ambiente negativo, funesto”, afirma o médico. Segundo ele faltam lâminas de bisturi e só há dois drenos torácicos à disposição, que teriam sido emprestados por outras unidades.
Para Salomão Diniz, as autoridades precisam garantir alguma solução. “Alguém, a governadora, o prefeito, tem de tomar uma providência. As condições de trabalho são as piores possíveis, nunca vi algo assim em todos esses anos”.